domingo, 12 de junho de 2011

Ethio-jazz, hein?

Eu sei tão pouco sobre a Etiópia, sua história e cultura ( e me envergonho por isso!), que é possível dizer que meus conhecimentos sobre esse país se resumem a duas pessoas: a Rainha de Sabá (que viveu na região por volta do século X a.c.), que só conheço porque é assim que minha mãe gosta de me chamar quando acha que estou sendo demasiadamente folgada... e a outra pessoa é Mulatu Astatke, e isso sim é uma informação importante. 
Astatke nasceu em 1943, quando jovem, viveu na Inglaterra e nos EUA. Lá aperfeiçoou seus estudos em piano, percurssão, clarinete e teve contato com o jazz e com a música latina. De forma genial Astatke passou criar suas composições misturando a música etíope tradicional ao que havia conhecido em terras estrangeiras. Desde então tornou-se o pai do Ethio-jazz.
"O ethio-jazz é uma coisa nova, uma combinação única de vários elementos", diz. "Exatamente como a bossa nova, que se tornou uma linguagem própria."
Ouça outros nomes do Ethio-jazz como  Tlahoun Gessesse Alèmayèhu Eshèté (som finérrimo!)
E então Astatke revolucionou não só a música da etiópia como o cenário musical contemporâneo mundial. O músico, até hoje está na ativa, em 2008 concluiu na Universidade de Havard trabalhos  na modernização dos instrumentos tradicionais etíopes. Recentemente, Mulatu, serviu como um artista residente em Cambridge, além de realizar palestras e workshops por todo o mundo. 

"Gostaria muito de desenvolver uma nova fusão, entre a música etíope e a brasileira. Seria interessante descobrir como as duas se encontram." M. Astatke
Interessantíssimo eu (violeta) diria!!!

No primeiro semestre deste ano Mulatu A. esteve pela primeira vez no Brasil, para duas apresentações no SESC Vila Mariana em São Paulo, mas para a frustração de centenas de brasileiros inclusive a minha, os ingressos esgotaram em um dia.
O compositor ganhou maior reconhecimento entre os ocidentais depois de ter sua música como trilha do filme Broken Flowers”, do diretor Jim Jarmusch ( recomendo o filme não só pela trilha mas pela atuação de Bill Murray \o/).

"Aproximei ritmos africanos e latinos, desenvolvi mudanças harmônicas, abri espaço para a improvisação, busquei as conexões e contrastes entre o jazz e a música etíope. É uma bela fusão."

Belíssima... e você pode ouvir aqui!


domingo, 5 de junho de 2011

Esta Vida Puta

Na ultima sexta-feira tava lendo jornal, esperando o ônibus, que não me levou, para ir ao velório de uma tia, que não cheguei a tempo. Estava bastante chateada pela perda, mas percebi logo que a vida pode ser muito pior, quando li que Paloscci iria dar explicações na tv, eu não queria estar no seu lugar, enfim... Quando cheguei no caderno de cultura li uma notícia que considero um presente. A biografia, “Fela –Esta Vida Puta”, do musico e ativista Fela Kuti, que morreu em 1997, será lançada em português no final de junho ainda.A obra tem depoimentos dos seus filhos Seun, Femi e Yeni e de suas esposas.Traz ainda depoimentos de diversos artistas e personalidades brasileiros e estrangeiros comprometidos com a cultura negra e a igualdade de raças.

O autor da obra é Carlos Moore, cientista político e etnólogo, nasceu em Cuba, mas vive hoje no Brasil. Seu caminho se cruzou com o de Fela em 1974, quando ainda trabalhava como jornalista e foi convidado pelo governo nigeriano a trabalhar no Festival Mundial das Artes Negras. Moore e Kuti são importantes personagens da luta negra e da propagação das idéias de Aimé Cesáire fundador do Movimento da Negritude.

Kuti músico extraordinário, criou ainda o estilo musical afro-beat, que é uma espécie de fusão do jazz, funk e cantos tradicionais africanos.


 “ Em uma palavra: não se pode realmente pretender ser culto, e muito menos culto nas questões do Mundo Negro, sem conhecer a obra e o pensamento de Fela Kuti. Fela foi um dos grandes ativistas e pensadores do panafricanismo no século XX. O que o distingue dos outros pensadores panafricanistas é que ele desenvolveu a luta panafricanista não no contexto da luta pela descolonização, mas dentro da problemática complexa e terrível que representa a sociedade africana pós-colonial; ou seja, uma sociedade controlada, oprimida e esmagada não diretamente pelas potências européias ou por regimes minoritários brancos, como na África do Sul ou na Rhodesia (atualmente o Zimbábue). O Fela teve de desenvolver o panafricanismo no contexto da opressão dos africanos pelas oligarquias e as elites africanas surgidas da independência do continente.” Carlos Moore