domingo, 5 de junho de 2011

Esta Vida Puta

Na ultima sexta-feira tava lendo jornal, esperando o ônibus, que não me levou, para ir ao velório de uma tia, que não cheguei a tempo. Estava bastante chateada pela perda, mas percebi logo que a vida pode ser muito pior, quando li que Paloscci iria dar explicações na tv, eu não queria estar no seu lugar, enfim... Quando cheguei no caderno de cultura li uma notícia que considero um presente. A biografia, “Fela –Esta Vida Puta”, do musico e ativista Fela Kuti, que morreu em 1997, será lançada em português no final de junho ainda.A obra tem depoimentos dos seus filhos Seun, Femi e Yeni e de suas esposas.Traz ainda depoimentos de diversos artistas e personalidades brasileiros e estrangeiros comprometidos com a cultura negra e a igualdade de raças.

O autor da obra é Carlos Moore, cientista político e etnólogo, nasceu em Cuba, mas vive hoje no Brasil. Seu caminho se cruzou com o de Fela em 1974, quando ainda trabalhava como jornalista e foi convidado pelo governo nigeriano a trabalhar no Festival Mundial das Artes Negras. Moore e Kuti são importantes personagens da luta negra e da propagação das idéias de Aimé Cesáire fundador do Movimento da Negritude.

Kuti músico extraordinário, criou ainda o estilo musical afro-beat, que é uma espécie de fusão do jazz, funk e cantos tradicionais africanos.


 “ Em uma palavra: não se pode realmente pretender ser culto, e muito menos culto nas questões do Mundo Negro, sem conhecer a obra e o pensamento de Fela Kuti. Fela foi um dos grandes ativistas e pensadores do panafricanismo no século XX. O que o distingue dos outros pensadores panafricanistas é que ele desenvolveu a luta panafricanista não no contexto da luta pela descolonização, mas dentro da problemática complexa e terrível que representa a sociedade africana pós-colonial; ou seja, uma sociedade controlada, oprimida e esmagada não diretamente pelas potências européias ou por regimes minoritários brancos, como na África do Sul ou na Rhodesia (atualmente o Zimbábue). O Fela teve de desenvolver o panafricanismo no contexto da opressão dos africanos pelas oligarquias e as elites africanas surgidas da independência do continente.” Carlos Moore




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